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11.16.2011

Lumières: espaços concretos para criar espaços ficcionais


O homem atrás desta estranha imagem é Douglas Trumbull, o director de fotografia de 2001 Odisseia no Espaço e deste filme de 1982, Blade Runner. Num tempo em que ainda não havia tecnologia informática para criar espaços de grandes dimensões virtuais, tudo tinha de ser elaborado com uma inteligência especial para fotografia - com maquetas desenvolvidas a partir de imagens reais de silhuetas de cidades, adicionar fumo para atenuar linhas de fundo, iluminar e pintar para emprestar a dimensão realista - que nunca o será, porque a cidade nunca existiu. 
A explanação clara, com as soluções e as razões de aplicação, tornam este pequeno filme num momento fantástico de quem sente o impulso para o fabrico de imagens fotográficas - e mais exigente, porque com movimento. Simples, compreensível enquanto processo e visionário no resultado procurado.

11.15.2011

Lumières: além da realidade


O autor deste e doutros filmes com o mesmo processo de trabalho, é Scott Nyerges - um cineasta que desenvolve experiências de limite sobre o espaço e construção visual. Estas manobras de quase abstracção devem ser tão próprias ao homem desde há muito como o continuam a ser. Numa tentativa de criar desafios de sentido que rompam as imagens que habitualmente deciframos, como um raro exercício de pensamento para lá do que já pensamos ser óbvio e conquistado enquanto sentido. Apesar de correr o risco de ser um trabalho menos inovador, prossegue na tentativa de ensaiar mais a procura visual do que não entendemos. A particularidade com os filmes deste cavalheiro, pode ser a de em tantas formas de filme começarmos a querer ver o que antes não conseguíamos - o que quer que isso possa ser, é um passo diferente.

11.14.2011

Lumières: perder personagens



O quarto tomo dos Piratas das Caraíbas tornou-se numa sequela de imitação pobre - por ventura pela troca do realizador original (Gore Verbinski) por Rob Marshall. O Capitão Jack Sparrow está mais só - apesar de ter encontrado um amor antigo, tudo nele ficou mais artificial. Tanto como uma quase evidente maquilhagem, tiques em lugar de representação inesperada, e uma ambiguidade sexual incompreensível agora. Além da demanda de um mito sem interesse e de uma narrativa sem conflitos dramáticos entre grandes personagens perdidas (o próprio Johnny Depp terá colaborado na concepção narrativa, o elemento mais frágil de todos), todo o aparato visual perdeu humor e uma dimensão dramática entre o paradoxo das situações e a inteligência da sugestão despreocupadamente filosófica (da bússola misteriosa ao carácter de um pirata, como um ser humano com formulas de pensamento diferente).

Fica uma simpática hipótese de um pequeno filme em torno das magnificas sereias e do amor (já contado noutras aventuras), de uma das mais belas por um homem, que não lhe consegue resistir.

11.11.2011

Lumières: fabricar imagens

Conversation With Juliette Binoche On Kieslowski 

Interessante imagem de Kieslowski, a propósito do trabalho de Juliette para o filme Azul (da trilogia das cores). Não impressiona a troca da chance de trabalhar em Jurassic Park para se entregar ao realizador. Há, antes de mais, uma imagem que parece ter guardado do seu trabalho, entre uma quase pobreza (de meios financeiros para filmar), que o levaria a não re-trabalhar por repetição, deixando o resultado para um momento que não se volta a tentar. É interessante, este processo de trabalho, para quem, em cinema (televisão e outras formas de construção audiovisual) tem a premissa da possibilidade de repetir.


11.04.2011

Lumières: fabricar imagens


Excelente lição sobre o trabalho do director de fotografia e a importância do espaço (e a luz que o desenha). Sintetiza bem a colocação do espaço-limite de trabalho no ocidente como um Proscenium - no oriente o entendimento não passa por 'olha para isto', mas antes, 'descobre isto'. Responsável pela fotografia de alguns filmes invulgares (sobretudo In The Mood For Love e 2046) - sobre os quais fala -, é a sua forma intuitiva e sem arquitectura teórica que melhor apresenta o que pensa sobre a criação da imagem cinematográfica.